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Por (*) Celso Poderoso
O mercado brasileiro de TI cresce a uma taxa superior à da economia como um todo. Contudo, a formação de profissionais para este setor não tem acompanhado a necessidade de mão-de-obra qualificada. Com isso, há um excesso de vagas e um déficit de profissionais. Dado que o Brasil ainda não atingiu o pleno emprego, é uma situação no mínimo curiosa.
Comparando alguns dados extraídos do INEP quanto ao perfil de formação
dos cursos superiores no Brasil nos anos de 2005 e 2006, nota-se que
houve um acréscimo de 4,46% de formandos na área de computação contra
um aumento de 7,81% de formandos na área das ciências sociais (incluindo administração e direito).
Não seria um grande problema, caso não houvesse tantas vagas em aberto
para profissionais de TI. Em 2006, já era detectado pela SOFTEX um
déficit de 20 mil profissionais qualificados só na subárea de
desenvolvimento de software, ou seja, 2/3 dos formandos em 2006 na área de computação. Como o setor
continua em grande crescimento, é natural que o número de vagas em
aberto esteja ainda maior.
Somente no estado de São Paulo, segundo dados apurados no SEADE, 6,1%
das empresas prestadoras de serviços são voltadas para a área de TI.
Contudo, todas as empresas necessitam de profissionais nestas áreas, em
maior ou menor grau. Isso dá uma visão da necessidade de formação deste
tipo de profissional.
Contudo, ainda segundo a tabela, nota-se que o número de vagas para
cursos na área de ciências sociais é muito maior do que na área de
computação. Pior do que isso, as vagas na área de computação (5,9%)
têm crescido em uma velocidade menor do que as vagas de todos os cursos superiores (7,95%).
Nota-se, ainda, que apenas 6,37% das vagas são para cursos na área de
computação enquanto 42,27% são para as ciências sociais.
A grande questão é saber se as demais áreas têm o mesmo apelo de
crescimento que a da computação. Do contrário, do que adianta formar
profissionais que terão dificuldade em conseguir emprego depois de
formados? Não seria conveniente ao planejamento geral da economia
reverter estes valores?
Uma forma simples para o governo seria incentivar, via FIES e ProUni, a
realização de cursos na área de computação. Com isso, estaremos
propondo aos alunos uma formação que lhes garanta emprego e boa
colocação profissional depois de formados.
*Celso Henrique Poderoso de Oliveira é coordenador dos Cursos
Superiores de Tecnologia da FIAP – Faculdade de Informática e
Administração Paulista.
Economista, especialista em Sistemas de Informação e mestre em
Tecnologia pelo CEETEPS (Centro Paula Souza). Trabalha desde 1986 com
informática e desde 1996 com banco de dados Oracle. Consultor de
informática em Qualidade de Software e Banco de Dados. Autor dos guias
de referência de Oracle PL/SQL e do livro SQL Curso Prático todos
publicados pela Editora Novatec.
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