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Como  desperdiçar dinheiro em treinamento!

(*) Por Francisco Reisner

(O título deste artigo está certo. Continue lendo você vai entender por quê!)


Tenho ouvido muitos comentários sobre investimentos para treinamento. Fala-se até que a rotatividade da mão de obra existente não justifica o valor investido. Afinal, treina-se um profissional, que pode sair da empresa pouco tempo depois e  o  investimento é desperdiçado.  A produtividade e a qualidade do trabalho sofrem em conseqüência de uma falsa sensação de ganho financeiro provocada quando se reduzem os investimentos nesta área. Investir pouco pode representar alguma economia,  por outro lado perde-se dinheiro se a performance da empresa for ruim.

 O resultado desta equação é perder mais do que economizar. Por outro lado, uma das causas da rotatividade costuma ser a falta de investimento na formação do funcionário, que não se sente fiel à empresa ou  por pensar que a empresa não está lhe preparando para uma oportunidade de carreira, ficando desta forma disponível ao mercado ou atraído por pequenas diferenças salariais que outro empregador porventura possa oferecer.

Investir no treinamento afeta o resultado financeiro de diversas formas. Mas até aqui não acredito ter contado muita novidade.  O problema está relacionado com o tamanho do investimento. Investe-se pouco ou, o que é pior, se gasta  tempo e dinheiro para se obter um resultado pífio.

Muitas empresas têm investido dinheiro em departamentos de treinamento, alocando espaço físico e pagando honorários. O que acontece com uma freqüência surpreendente é que estas empresas não dimensionam adequadamente os recursos necessários. O resultado direto deste sub-dimensionamento faz com que analistas de treinamento tenham tempo para ministrar aulas, mas pouco tempo para analisarem os resultados de seus cursos, participarem de  reciclagens e, principalmente, prepararem material didático adequado.

Muitas vezes lhes falta a expertise para o exercício da atividade. Outras vezes as enxutas estruturas de treinamento não conseguem fazer muito mais do que apagar o incêndio do crescimento ou da rotatividade. A conseqüência é que o treinamento, à mercê destas falhas, acaba não trazendo todos os (bons) resultados que ele é capaz e a relação investimento versus resultado não fica equilibrada.

Ai eu tenho visto um movimento que equivale a dar um tiro no pé. As empresas, como resultado de sua baixa produtividade, cortam recursos e, um dos primeiros lugares onde isto é feito é exatamente na formação do seu pessoal.

nde eu quero chegar com isto? Propor que o dinheiro seja racionalmente investido e não jogado fora, que a meta de gerar produtividade e qualidade seja perseguida de forma mais sistemática. A única solução para isto é o estabelecimento de um programa de treinamento que vise à melhoria contínua. Envolve contratar recursos externos ou consultores para complementar o trabalho de treinar as equipes. Esta solução pode ser onerosa e às vezes  não transfere  o conhecimento para os analistas de treinamento, fazendo com que a empresa tenha que recorrer constantemente a esta ajuda externa.

Outra forma, mais eficiente, é usar o consultor para estruturar o treinamento de forma que ele prepare a equipe de analistas dando lhes a competência para conduzir o maior número possível de temas com qualidade, desenvolva um programa de formação continuada e prepare material didático adequado. Vale salientar aqui que a principal falha reside na falta de um bom material de referência após a realização do treinamento.

Muitos instrutores desenvolvem boas dinâmicas e bons slides, mas não têm tempo para elaborar um material que possa ser re-utilizado pelo aluno após o evento (normalmente são feitas simples cópias dos slides). O resultado é que o conhecimento transmitido rapidamente se esvai se não houver um esforço pós-aula.

Bem, a mensagem que desejo deixar é que as empresas revejam seus investimentos em treinamento, pois muitos recursos estão hoje mal utilizados e o dinheiro investido tem muitas vezes escoado pelo ralo. Pensar de forma estratégica em treinamento pode ser o diferencial competitivo tão procurado.

(*) Francisco A. Reisner é sócio-diretor da Reisner Consultores Associados
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