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Por que uma rede não é suficiente: definindo
novas formas de interagir com informação e serviços

Por (*) Bill Joy

 As pessoas têm contado histórias de uma forma tão intensa que qualquer um sabe tudo sobre nós. Lemos notícias nos jornais, ouvimos no rádio, vemos na televisão, acessamos na Internet e continuamos criando novas formas de comunicar. Até a Internet já não é mais um meio solitário. Ela é (ou será) pelo menos seis webs, cada uma representando um modo diferente de comunicação.

Interagimos com a primeira web, que podemos chamar de “Near Web”, por meio de um teclado e mouse. Ela define uma forma de trabalho, um modo de ver a informação com o qual muitos de nós nos familiarizamos. A segunda, que chamo de “Here Web” – aqui sendo onde quer que você esteja –, é sem fio e pode vir pelo seu celular, pager ou PDA. Esses são os PCs do futuro, comunicadores pessoais que estão sempre com você.

A terceira web tem sido descrita como a “Far Web”, porque você interage por meio de um controle remoto. Poderia também ser chamada de rede de entretenimento e chega por meio de um aparelho de TV. As coisas mais próximas que temos a isto neste momento são os vídeo-games, mas acho que veremos coisas muito mais interessantes sendo desenvolvidas como mundos virtuais dos quais seremos capazes de participar.

A próxima forma de definição é, talvez, a mais natural de todas, a mais fácil de uma perspectiva puramente humana: falar. Com melhorias na tecnologia de reconhecimento de voz, a “Voice Web” está começando a acontecer. Carros que lêem o e-mail, por exemplo, são apenas um início. Qualquer coisa construída com um chip poderia, um dia, responder à sua voz.

Em contrapartida, as próximas webs são silenciosas e nós não interagimos realmente com elas porque não temos que interagir – esta é a idéia. O que chamo de “E-Commerce Web” é, basicamente, computadores conversando com computadores, automatizando todas as transações de bastidor entre depósitos, cobranças, distribuição e assim por diante.

Finalmente, existe o “Device Web”, onde os dispositivos se apresentam na rede e deixam os outros saberem o que fazem e que serviço oferecem. Suponhamos que um vendedor visite um cliente e precise imprimir algo. Seu laptop deveria estar capacitado para encontrar a impressora mais próxima e usar seus serviços.
Cada uma dessas webs é definida por suas próprias modalidades e linguagem com características únicas e a idéia é tirar benefícios dessas diferenças. No entanto, se formatadas corretamente, também terão algo em comum, tornando possível traduzir o conteúdo de uma rede para a outra. Mas essa é outra história.

* Bill Joy, fundador e cientista-chefe da Sun Microsystems, Inc.

 
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