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(*) Por Adalton M. Ozaki* e Demerval L. Polizelli* Nos últimos quinze anos, a importância da tecnologia tem sido reconhecida por empresas, governos e academias. Expressões como desenvolvimento tecnológico, biotecnologia, gestão de tecnologia, gestão do conhecimento e bancos de dados freqüentam artigos, cursos e relatórios de investimentos de empresas. Porém, um dos aspectos mais importantes do desenvolvimento tecnológico continua pouco explorado no Brasil: o papel das agências de Sociedade da Informação nesse crescimento. Elas são as responsáveis por uma parcela crescente da ciência de ponta nos países desenvolvidos e nos emergentes. Europa, Coréia e Japão adotam políticas de Sociedade da Informação para integrar inovações tecnológicas, novos desenhos de colaboração de empresas (redes de negócios e desenvolvimento), programas de inclusão digital para setores de risco, políticas de colaboração internacional e, principalmente, experiências de desenvolvimento de capital humano. Nos Estados Unidos, o papel das empresas recebe maior destaque político de estímulo e compras do Estado aliado às parcerias com Universidades.
Daí a necessidade de introduzir o debate sobre o tema no Brasil de maneira mais precisa, para superar a visão atualmente difundida de que Sociedade da Informação é o aumento do número de computadores na sociedade. Dito dessa forma, a expressão Sociedade da Informação adota uma visão genérica, muito imprecisa e limitada ao plano quantitativo. É preciso observar a questão sob um novo enfoque: compreender a Sociedade da Informação como um produto de diversas ações articuladas por políticas e agências específicas, não apenas no plano quantitativo, mas principalmente no qualitativo. Nesse plano, projetos de tecnologia de ponta são identificados, financiados de diversas formas para permitir novas vantagens competitivas a empresas, países e regiões. Para identificar oportunidades, várias dessas agências organizam relatórios, difundem agendas e programas de financiamento que são distribuídos para os principais segmentos interessados em inovar estrategicamente. A partir desse esforço, o conhecimento passa a ser difundido para esses segmentos, denominados principais atores, e geram efeitos multiplicadores nos fornecedores, parceiros e clientes. Define-se o conhecimento de maneira clara para que ele se converta na principal ferramenta e possa ser gerenciado como o principal ativo das organizações. Isso implica repensar os paradigmas de gestão e introduzir modelos de compartilhamento de informações e projetos com base em competências bem definidas desses fornecedores e parceiros. A gestão estratégica das competências e o seu planejamento passam a ser as bases das empresas, governo e universidades na Sociedade da Informação. Nessa direção, é importante entender as principais experiências de implementação de Sociedade da Informação, a saber: americana, européia e asiática, conhecer as diferenças de concepção de agenda e a forma de integração dos principais atores (universidades, empresas e governo) em cada uma dessas experiências. Além disso, é preciso perceber as possibilidades do conhecimento na Era Digital nas empresas, rever a revolução digital e seus impactos, a importância da Internet, dos negócios eletrônicos relacionados às redes de colaboração (fornecedores, parceiros e ferramentas de relacionamento com o cliente), definir a importância do processo de digitalização do conhecimento e da convergência tecnológica. Nesse rol de conhecimentos, é preciso incluir o governo eletrônico e a sua contribuição ao ambiente de integração da Sociedade da Informação ao relacionar a tecnologia da informação com o desenvolvimento e os processos de intercâmbio de conhecimento, além de destacar a importância de uma governança socialmente inclusiva, avançar no debate para o uso de tecnologias digitais para as funções típicas de governo como o controle do orçamento, rede com aplicação de governo para governo (G2G), sintetizar as experiências da informática pública brasileira e o seu papel no apoio aos programas sociais de inclusão digital, experiências estaduais e a comparação com projetos internacionais nas áreas afins. Além disso, é preciso abordar os desafios legais para as mudanças de paradigmas, requeridos pela Era Digital, que envolvem desde direitos sobre a produção e uso do conhecimento, precauções na elaboração de contratos, reconhecimento das obrigações e patentes até questões de governança. A inovação de produtos e serviços gera temas inéditos como os impactos dos processos de contratação online, a confiança para a realização de negócios na Web, a responsabilidade civil no ambiente digital, o respeito aos direitos do consumidor no comércio eletrônico e novos desafios no direito autoral e na propriedade intelectual. A discussão sobre Sociedade da Informação contempla três pontos principais. O primeiro refere-se a uma abordagem mais integrada de tecnologia e políticas de gestão. O segundo aborda as políticas públicas de estímulo de inovações tecnológicas e empreendedorismo. Nesse ponto, destaca-se o e-government e outras práticas de governo digital. O terceiro refere-se às bases para entender melhor as políticas de cooperação e competição entre as empresas e alguns aspectos das políticas de estímulo fiscal para empresas de alta tecnologia. Os três pontos anteriores permitem uma visão da velocidade e mobilidade que caracterizam o século em que já vivemos: um período de oportunidades que coexistem com muitos desafios e capacidade de planejamento. *Adalton M. Ozaki é coordenador dos cursos de graduação em administração de empresas da FIAP – Faculdade de Informática e Administração Paulista. É mestre em administração pela FEA-USP e especializado em negócios eletrônicos e gestão tecnológica. Atua há mais de 15 anos no setor de tecnologia de informação e atualmente atua como sócio-diretor da ADF Consulting. *Demerval Luiz Polizelli é professor da FIAP – Faculdade de Informática e Administração Paulista. Graduado em ciências sociais pela USP e economia pela PUC/SP, é especialista em comunicações pela ECA-USP, doutor em sistemas de aprendizagem pela Unicamp e pós-doutor em administração pela FEA-USP. Atua como instrutor de treinamento em empresas, consultor de treinamento e pesquisa de mercado. |