A coluna do mês passado abriu o tema impacto da crise de confiança no ambiente de tecnologia. Felizmente a confiança vem sendo restaurada e alguma racionalidade já esta presente. Eu resolvi aguardar a divulgação do balanço da Petrobrás para escrever a coluna, pois acreditava que o fato geraria um bom gancho para falar da pauta mandatória de tecnologia de informações e comunicações deste final de ano. Orçamento de 2009.
O relacionamento entre cortes no orçamento, governança de TI Verde, Service Desk Verde e capital intelectual estão presentes no topo da agenda dos profissionais encarregados da gestão de tecnologia. A reunião almoço patrocinada pela
Sucesu-SP e revista Banco Hoje, mostrou um nível de interesse bastante elevado dos CFOs e CIOs no tema efetividade e produtividade.
Para mostrar a importância do tema produtividade para o ano de 2009, através do desdobramento de um fato real, eu optei por escrever a coluna apenas no final do dia 12 de novembro de 2008.
Do ponto de vista causa e efeito a notícia
"Lucro da Petrobras salta 96%, para R$ 10,852 bilhões no trimestre" de 11/11/2008 - 19h09 faria as ações da estatal disparar em alta na abertura do pregão no dia seguinte. No entanto o fechamento do pregão no dia 12 de novembro de 2008 mostrou que as ações ordinárias recuaram 13,25% e as preferenciais perderam 13,75%.
“Bovespa desaba 7,75% com perdas da Petrobras e dados sobre crise". Muito foi falado sobre o assunto, mas muito pouco foi realmente dito. A importância do capital intelectual ficou nítida neste caso como fator de exploração das oportunidades. A notícia intermediária
"Bovespa cai quase 8% puxada pela Petrobras" permite o entendimento da forma de pensar de muitos dos investidores. Os trechos dos artigos destacados nos quadros 1 e 2 ajudam a entender o relacionamento capital intelectual e negócio e permitem clarificar o assunto.
Várias análises apontam a margem EBITDA (aumento dos gastos operacionais), como o problema que afastou os investidores. Estas avaliações não mencionam que para explorar as novas reservas descobertas em 2009 é preciso capacitar a estatal para um novo patamar de produção. Em função da necessidade de concurso público é natural a ocorrência de alguma antecipação na capacitação.
O real problema esta na nota do quadro 2. A falta de capacidade para cumprir a produção planejada pelo investimento mostra que a empresa consumiu recursos de forma improdutiva. A leitura do fato pelos investidores é que existem desperdícios e ineficiências nas operações da organização.
As perdas reduziram o rendimento do investimento. O menor rendimento do investimento esta relacionado com condições permanentes, por isto nos próximos trimestres ele novamente afetará o resultado do capital. Em função da expectativa futura negativa, o mercado optou em liquidar as posições. A palavra chave aqui é produtividade.
Agora estamos prontos para voltar a questão tecnologia. Desde setembro venho sendo constantemente chamado por CFOs e CIOs para avaliar questões relacionadas com cortes no orçamento. Alguns até acham que tenho poderes de mambo jambo e consigo ver em bola de cristal o futuro. Eu procuro esclarecer de imediato que não tenho esta habilidade.
Para os outros casos o tema gira em melhorar a estratégia de tecnologia. O ajuste necessário não significa cancelar projetos caros, mandar gente embora, tornar TI obsoleto e etc. Produtividade significa reduzir o custo unitário do produto produzido. É preciso tomar cuidado com os cortes, pois é comum encontrar no Brasil situações que eles aumentaram o custo unitário e em pouco tempo a empresa quebrou.
Gráfico produtividade e investimento em TIC – Livro Governança Avançada de TI na Prática, Ricardo Mansur, Brasport. Fonte dos dados: IDC
É fácil perceber que existe forte correlação entre crescimento do investimento em tecnologia e o aumento da produtividade da economia. Entretanto, em alguns anos o crescimento do investimento reduziu a produtividade. Este fenômeno é explicado pelos trabalhos do Howard Rubin sobre a intensidade ideal de tecnologia. Na prática existe um ponto limite em que aumentos de investimento reduzem o lucro.
Portanto, a primeira coisa que deve ser verificada é a intensidade de tecnologia. O Howard Rubin mostrou em trabalho realizado em centenas de empresas que existe um ponto de lucro máximo. Investimentos em TIC acima deste ponto representam apenas despesas.
Curva intensidade TI – Serviços financeiros. Livro Governança Avançada de TI na Prática, Ricardo Mansur, Brasport. Fonte dos dados: Revista CIO de 05 de junho de 2008
O segundo passo é o entendimento do rendimento da função transformação de tecnologia. A figura a seguir mostra que as saídas de TI estão relacionadas com informações úteis, informações inúteis e calor. Quanto maior for a quantidade de informações úteis em relação ao total maior é a rendimento do investimento.
O ideal seria zero de desperdícios e ineficiências, ou seja, rendimento igual a 1. Uma vez que o rendimento da f(TIC) afeta todas as iniciativas de tecnologia, os projetos de aumento do rendimento conseguem com facilidade reduzir o custo unitário das transações e aumentar a produtividade. A figura a seguir mostra que: (i) existe um volume máximo de investimento em projetos de governança de TI Verde e (ii) o retorno de capital destas iniciativas é a diferença entre LMAX e LREAL.
Retorno de investimento em Governança de TI Verde. Livro Governança Avançada de TI na Prática, Ricardo Mansur, Brasport.
As perdas provocadas pelo calor inútil da função transformação de tecnologia já representam mais de 100% do orçamento da área, por isto as iniciativas verdes tem elevado poder de fogo no aumento da competitividade do negócio neste momento.
O Service Desk Verde não significa pintar pessoas e paredes de verde. Mais do que saber resolver problemas técnicos o Service Desk tem preciosas informações sobre os hábitos e atitudes dos usuários. Eliminar as perdas provocadas pelas informações inúteis é um filão de mercado praticamente inexplorado com potencial de retorno extraordinário. Conhecer hábitos e atitudes dos usuários é a peça que falta no quebra cabeça da efetividade. A seguir apresento um exemplo que é comum para a grande maioria dos gestores. Espero que ele facilite o entendimento do Service Desk Verde.
O correio eletrônico é sem sombra de dúvida uma das maiores fontes das perdas provocadas por informações inúteis. É fácil encontrar no mercado nacional perdas elevadas do investimento em TI pela solução adotada de anti-spam e por atitudes e hábitos dos usuários. Hábitos muitas vezes inocentes causam perdas de milhões de reais por ano. Falta de articulação para compartilhar informações necessárias comuns, elevada incidência de repetição desnecessária de mensagens, escolha de forma de comunicação inadequada, uso de ferramenta assíncrona para comunicação interativa, execução de procedimentos de segurança para informações inúteis e etc. vem provocando perdas significativas no rendimento do investimento em tecnologia de informações e comunicações.
Como no caso da Petrobras aqui também o capital barato vai embora ao saber que dinheiro esta sendo perdido. O Service Desk Verde demanda por alguns investimentos em capital intelectual em função da nova abordagem, mas o resultado de quem já andou por esta estrada mostra que cada centavo gasto foi bem aplicado. As recompensas alcançadas são em geral magníficas.
Eu sempre recomendo que o Service Desk Manager pense nisto na hora de aprovar os projetos. Bons hábitos e atitudes podem transformar as crises em oportunidades. Queimar dinheiro bom e suado? Produzir calor inútil? Não, aqui não. Service Desk Verde. O bolso agradece. A natureza também. 2009 o ano das oportunidades.
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que mensalmente estaremos falando sobre um caso.
VENHAAAAAAAAAAAAAAAAA!
Sobre o colunista Ricardo Mansur - Diretor do grupo de usuários de ITIL da SUCESU-SP. Atua profissionalmente como consultor especialista de fusões e aquisições. Foi um dos primeiros engenheiros atuante em tecnologia no Brasil a defender a importância e mostrar na prática o retorno de investimento em Tecnologia da Informação e Comunicações. Autor dos livros “Governança Avançada de TI na Prática”, “Escritório Avançado de Projetos na Prática”, “BsC na Prática”, “Implementando um Escritório de Projetos” e “Governança de TI:Metodologias, Frameworks e Melhores Práticas”.
Sobre a SUCESU-SP – Sociedade dos Usuários de Informática e Telecomunicações fundada em 1967. Entidade pioneira na discussão do uso e aplicações da Tecnologia da Informação e Comunicações e na integração com a sociedade.